Mercado de beleza no Brasil se polariza entre produtos populares e de alto luxo

O comportamento de compra de cosméticos e perfumes no Brasil passa por uma forte divisão. Dados da empresa de pesquisas Circana sobre o primeiro semestre de 2026 mostram que o público concentra gastos em itens mais baratos ou no segmento de alto luxo. Com isso, as marcas de preço intermediário perdem espaço no mercado nacional.
O que aconteceu
A pesquisa aponta crescimento acelerado nos dois extremos do setor. A procura por perfumes árabes, vendidos na faixa de R$ 200, subiu 64% no primeiro semestre. Por outro lado, as vendas de fragrâncias de luxo com valor próximo a R$ 1.500 avançaram 35% no mesmo período. Além disso, as marcas lançadas por influenciadores digitais já somam 25% das vendas de maquiagem no país.
Enquanto os extremos crescem, produtos tradicionais situados no meio da tabela de preços perdem clientes. No segmento de cuidados com a pele, as marcas tradicionais de luxo encolheram cerca de 10%. O levantamento revela também a força da internet no setor, onde o comércio eletrônico de cuidados com a pele cresceu 24%, ao passo que as lojas físicas registraram queda em valor e em unidades vendidas.
Minha visão sobre o assunto
Vejo essa mudança como um sinal claro para a gestão de estoques no varejo. Com o orçamento mais restrito, o consumidor avalia de forma rígida o custo-benefício de cada compra. Ele aceita migrar para opções mais acessíveis que entreguem bom resultado ou decide pagar caro por produtos que tragam alto valor percebido e exclusividade.
Para o comércio, manter itens de preço intermediário sem uma diferenciação muito clara se tornou um risco financeiro. A concorrência direta de produtos lançados por influenciadores e de marcas importadas acessíveis exige uma rápida adequação das prateleiras, tanto no varejo físico quanto no e-commerce.
O que observar agora
Vale observar a reação das marcas tradicionais de cosméticos para reter a classe média e a evolução do canal digital como principal motor de crescimento dessa categoria.
Fonte
Esta matéria foi elaborada com base nas informações publicadas por Mercado & Consumo. Acesse a publicação original.
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